Ser do Benfica começa a ser um fardo que se repete cansativo e doloroso de carregar ano após ano.
Ontem tinha duas escolhas. Ficar em casa e ver o Benfica com a mais-que-tudo numa comunhão masoquista do assistir à mais do que expectável agonia do previsível ou ir prolongar a agonia das salas de cinema protuguesas ao dar a ilusão aos empresários que há ainda quem vá gastar dinheiro com a sétima arte com a compra de dois bilhetes para a mais recente fita do Neil Blomkamp.
Num assomo de vidência que se sobrepôs à ténue esperança que finalmente conseguiríamos entrar num campeonato a ganhar, decidimos ir ao cinema, sabendo que nada de bom saíria da escolha de ficar a ver o Benfica a arrastar-se 90 minutos pelo campo para um desaire anunciado.
Bem dito bem feito. Embora a fita do sul africano tenha ficado aquém das expetativas, ao menos foi uma aposta cujo desfecho se manteve em aberto até ao passar dos créditos finais. O mesmo não se passou com o início do Benfica nem tampouco do próprio campeonato.
Confesso que quase esgotei o que quer que tinha de vontade de ter esperança no mês de maio passado. Não me peçam agora para achar que este início de campeonato seria diferente. Um deja vu na derrota na Madeira. Um deja vu na vitória e na polémica do Porto em Setúbal. Um assomo de vitalidade num Sporting que joga sem nada para perder nem pressão absolutamente alguma.
A Jesus só lhe resta começar a ganhar já para a semana e não caír em Alvalade, se não esta época pouco passará de um deja vu do que tem sido o Benfica dos últimos 20 anos, exceção (e entatizo a exceção) dos campeonatos de Trappatoni e Jesus.
Triste é quando a desilusão de um filme se sobrepõe à expectável desilusão (passe o oxímoro) do início de época do Benfica.
Safou-se o Matt Damon e o Rodrigo...
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Rola a bola: Deva Vu parte II
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Deja vu?
De regresso às revelações da verdade vermelha depois de uma pausa de mês e meio onde basicamente o que aconteceu aqui para os lados deste escriba, pelo menos, foi ressacar de uma época perdida em praticamente todas as frentes benfiquistas onde há uma bola (incluindo o futsal). Exeção feita à equipa de hóquei em patins que arranca uma vitória europeia na casa do Dragão, numa modalidade histórica onde a equipa de Benfica fez jus ao seu palmarés. Pergunto se o Porto vai abdicar de competir na europa para o ano com a sua equipa de hóquei...
Adiante. Começamos a pré época do futebol, ainda com Jesus, provavelmente sem Cardozo e ainda sem lateral esquerdo.
A entrar no seu quinto ano no clube, Jesus está já a balançar entre a estabilidade conseguida ao longo destes e o desgaste do seu modo de gerir a equipa de futebol. Seria de pensar que o ano passado era o ano do ou vai ou racha, estando a sua continuidade depende de ganhar alguma coisa e, depois do desaire da taça, foi o que muitos benfiquistas pediam. os ânimos acalmaram-se e o Presidente decide manter Jesus.
A acreditar nos valores deixados pela imprensa., a condição de Jesus é a de ganhar a Champions, principalmente porque a final de 2014 é na Catedral. A aposta dos dirigentes do Benfica é a de esticar op vai ou racha até às últimas consequências. Apostam na estabilidade da estruturam e acreditam que as pequenas arestas que nos impediram de ganhar o ano passado (dois golos depois da hora em dois jogos decisivos) podem ser limadas.
A final da Champions na Luz deixa pelo menos essa certeza de ter um incentivo extra, mas não basta. É necessário corrigir muitas coisas que teimosamente se mantêm. A falta de defesas laterais e de um guarda redes que não sucumba em moments decisivos. Sem isso o Benfica não poderá aspirar a mais nada do que acabou por conseguir esta época que passou: o apenas quase.
Mas laterais e guarda redes também não bastam. É necessário uma atitude e vontade dignas dos desígnios do clube e acima de tudo é necessário perder um complexo que nos assombra desder sempre e que nos custou o campeonato. O de vencer o Porto e essencialmente vencê-lo no Dragão.
O ano passado ao ver o calendário do campeonato e ao ver o penúltimo jogo na casa do adversário, pensei que teríamos de ir ao Dragão já campeões ou não nos safávamos.
Bem dito bem feito. E, depois de ver os resoltados do sorteio da liga de ontem, este ano é mais do mesmo, com a diferença de um jogo. O jogo do Dragão é o último do campeonato.
Ao ver isto, e para afastar o sentimento de deja vu que logo me assombrou, a atitude a ter este ano não deve ser outra.
Este ano não temos de ir ao Dragão já campeões ou para podermos perder, ou não temos que ir ao Dragão tirar o campeonato ao Porto.
Este ano só temos fazer uma coisa. GANHAR! Ganhar ao Porto em casa e no Dragão. E ganhar todos os outros jogos que tivermos.
Não interessa mais nada, nem contra quem.
Adiante. Começamos a pré época do futebol, ainda com Jesus, provavelmente sem Cardozo e ainda sem lateral esquerdo.
A entrar no seu quinto ano no clube, Jesus está já a balançar entre a estabilidade conseguida ao longo destes e o desgaste do seu modo de gerir a equipa de futebol. Seria de pensar que o ano passado era o ano do ou vai ou racha, estando a sua continuidade depende de ganhar alguma coisa e, depois do desaire da taça, foi o que muitos benfiquistas pediam. os ânimos acalmaram-se e o Presidente decide manter Jesus.
A acreditar nos valores deixados pela imprensa., a condição de Jesus é a de ganhar a Champions, principalmente porque a final de 2014 é na Catedral. A aposta dos dirigentes do Benfica é a de esticar op vai ou racha até às últimas consequências. Apostam na estabilidade da estruturam e acreditam que as pequenas arestas que nos impediram de ganhar o ano passado (dois golos depois da hora em dois jogos decisivos) podem ser limadas.
A final da Champions na Luz deixa pelo menos essa certeza de ter um incentivo extra, mas não basta. É necessário corrigir muitas coisas que teimosamente se mantêm. A falta de defesas laterais e de um guarda redes que não sucumba em moments decisivos. Sem isso o Benfica não poderá aspirar a mais nada do que acabou por conseguir esta época que passou: o apenas quase.
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| Ai Jasus, Jasus... |
Mas laterais e guarda redes também não bastam. É necessário uma atitude e vontade dignas dos desígnios do clube e acima de tudo é necessário perder um complexo que nos assombra desder sempre e que nos custou o campeonato. O de vencer o Porto e essencialmente vencê-lo no Dragão.
O ano passado ao ver o calendário do campeonato e ao ver o penúltimo jogo na casa do adversário, pensei que teríamos de ir ao Dragão já campeões ou não nos safávamos.
Bem dito bem feito. E, depois de ver os resoltados do sorteio da liga de ontem, este ano é mais do mesmo, com a diferença de um jogo. O jogo do Dragão é o último do campeonato.
Ao ver isto, e para afastar o sentimento de deja vu que logo me assombrou, a atitude a ter este ano não deve ser outra.
Este ano não temos de ir ao Dragão já campeões ou para podermos perder, ou não temos que ir ao Dragão tirar o campeonato ao Porto.
Este ano só temos fazer uma coisa. GANHAR! Ganhar ao Porto em casa e no Dragão. E ganhar todos os outros jogos que tivermos.
Não interessa mais nada, nem contra quem.
domingo, 26 de maio de 2013
Em busca do triunfo perdido...
Andor... já não me parece haver impasse nenhum;
Pior do que perder é pensares que quando ganhas és uno mas quando perdes é a equipa. Jesus só supostamente ressuscitou porque assumia os pecados do mundo, tu pareces exactamente o oposto. E como estás parecido com o Eric Idle, quando te fores podes assobiar a canção...
Para o ano arranjem também um psicólogo, um bruxo de fafe, um tradutor sérvio-português, o irmão gémeo do Maxi com inteligência, um guarda-redes que dê realmente pontos, um cadeirão para o Luisão e um caniche branco que mastigue pastilha elástica para os jogadores apontarem o dedo no final dos jogos.
Pior do que perder é pensares que quando ganhas és uno mas quando perdes é a equipa. Jesus só supostamente ressuscitou porque assumia os pecados do mundo, tu pareces exactamente o oposto. E como estás parecido com o Eric Idle, quando te fores podes assobiar a canção...
terça-feira, 21 de maio de 2013
This is the end... of the beginning
E pronto, foi fatal, foi uma imensidão de desilusão, alguém desligou a luz quando até parecia que amanhecia, gorou-se num último fio de areia que escorria pela ampulheta a época de "círculo perfeito" que todos desejavam e acabaram a esperar... a esperar.
Eu não queria ter sido o Padre Tirésias desta Odisseia, mas quando atrás falei da espada que pendia, só queria não ter tido razão. A espada caiu, mais uma vez, e outra vez... Não mereceste o poder Jota, continuas a não ter coragem, continuas a não querer enfrentar os teus medos, continuas a quebrar quando te pedem para seres audaz e dessa forma o ADN da equipa não mudará, foi assim que perdeste com o Bitó, porque quando deverias ter mandado a mensagem subliminar de assomo de dignidade de guerreiro, mandaste aquele protótipo estético de Mozer para encomendares um empate ao divino e confiança absoluta numa estratégia - bem montada disseram muitos - mas desmanchada por aquele moicano de sotaque que tentou cruzar e saiu um título, que arriscou ser feliz e acertou com uma bola na nossa cara impávida e incrédula, perplexa por sentir que o quase impossivel tinha acontecido.
Parabéns pelo campeonato a quem arriscou tudo, mesmo que serenamente pensassem que o tinham perdido e avidamente jogassem os dados nos incentivos perenes, nas desistências convenientes e no coelho lançado à Capela para um tranquilo regresso Miguelino que este ano até dispensou a Xistralhada ou a Proençada... dinheiro em caixa, é sempre dinheiro em caixa e o gajo dos Simpsons que se cale e leve a taça da cerveja juntamente com as carraças agarradas à pele. Perdemos na coragem que não soubemos ter e deixaste-me com o sabor amarguíssimo dos gárgulas que contemplam um céu estrelado sem vislumbre de estrelas cadentes.
Quiseste mudar a mão e acabaste a conquistar novamente o nosso coração na submissão a que pretensamente subjugaste o campeão europeu, lançaste-te às feras naquele futebol de rendilhados e de circulação de bola constante, um género de semi-Barcelona, mas sem um remate... foi bonito, foi corajoso, foi um Benfica à Benfica para essa Europa ver, mas a psique já estava danificada, a equipa desruptiva e o judeu húngaro remexeu-se no túmulo mais uma vez na proporção do olhar do Jardel para o Almeida e aquela eternidade da descida parabólica da bola só significava uma coisa: estava consumado, acabava o nosso sonho e começara a tua cruz... Mestre da táctica brejeiro, não passavas de mais um Peseiro!
Jota chegámos a um impasse, não arranjamos melhor do que tu para meter a equipa a jogar, para criar lastro financeiro em jogadores... mas agora está confirmado que és pé-frio e que dificilmente conseguirás ganhar quando realmente temos de ganhar... ou então não! Se mudaste do ano passado para este, esperemos para continuar a alegoria bíblica, pela ressureição porque mais crucificado que isto é impossível!
Resta a taça do nosso (des)consolo, dos bigodes que se prendem nas faces que com um sorriso a pingar tinto e espuma se pretendia que fosse uma festa incomensurável. Veremos...
Fiquemos com o Manzarek que ontem foi finalmente ver as portas da percepção, porque realmente estes últimos 10 dias só mesmo carregadinho de ácido lisérgicodietilamina é que alguém conseguiria imaginar.
P.S. E esta nouvelle vague de campeões schadenfreudistas? Maravilhosos.
Eu não queria ter sido o Padre Tirésias desta Odisseia, mas quando atrás falei da espada que pendia, só queria não ter tido razão. A espada caiu, mais uma vez, e outra vez... Não mereceste o poder Jota, continuas a não ter coragem, continuas a não querer enfrentar os teus medos, continuas a quebrar quando te pedem para seres audaz e dessa forma o ADN da equipa não mudará, foi assim que perdeste com o Bitó, porque quando deverias ter mandado a mensagem subliminar de assomo de dignidade de guerreiro, mandaste aquele protótipo estético de Mozer para encomendares um empate ao divino e confiança absoluta numa estratégia - bem montada disseram muitos - mas desmanchada por aquele moicano de sotaque que tentou cruzar e saiu um título, que arriscou ser feliz e acertou com uma bola na nossa cara impávida e incrédula, perplexa por sentir que o quase impossivel tinha acontecido.
Parabéns pelo campeonato a quem arriscou tudo, mesmo que serenamente pensassem que o tinham perdido e avidamente jogassem os dados nos incentivos perenes, nas desistências convenientes e no coelho lançado à Capela para um tranquilo regresso Miguelino que este ano até dispensou a Xistralhada ou a Proençada... dinheiro em caixa, é sempre dinheiro em caixa e o gajo dos Simpsons que se cale e leve a taça da cerveja juntamente com as carraças agarradas à pele. Perdemos na coragem que não soubemos ter e deixaste-me com o sabor amarguíssimo dos gárgulas que contemplam um céu estrelado sem vislumbre de estrelas cadentes.
Quiseste mudar a mão e acabaste a conquistar novamente o nosso coração na submissão a que pretensamente subjugaste o campeão europeu, lançaste-te às feras naquele futebol de rendilhados e de circulação de bola constante, um género de semi-Barcelona, mas sem um remate... foi bonito, foi corajoso, foi um Benfica à Benfica para essa Europa ver, mas a psique já estava danificada, a equipa desruptiva e o judeu húngaro remexeu-se no túmulo mais uma vez na proporção do olhar do Jardel para o Almeida e aquela eternidade da descida parabólica da bola só significava uma coisa: estava consumado, acabava o nosso sonho e começara a tua cruz... Mestre da táctica brejeiro, não passavas de mais um Peseiro!
Jota chegámos a um impasse, não arranjamos melhor do que tu para meter a equipa a jogar, para criar lastro financeiro em jogadores... mas agora está confirmado que és pé-frio e que dificilmente conseguirás ganhar quando realmente temos de ganhar... ou então não! Se mudaste do ano passado para este, esperemos para continuar a alegoria bíblica, pela ressureição porque mais crucificado que isto é impossível!
Resta a taça do nosso (des)consolo, dos bigodes que se prendem nas faces que com um sorriso a pingar tinto e espuma se pretendia que fosse uma festa incomensurável. Veremos...
Fiquemos com o Manzarek que ontem foi finalmente ver as portas da percepção, porque realmente estes últimos 10 dias só mesmo carregadinho de ácido lisérgicodietilamina é que alguém conseguiria imaginar.
P.S. E esta nouvelle vague de campeões schadenfreudistas? Maravilhosos.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Foi bonita a festa, na verdade
Foi o fim da mais emocionalmente desgastante época que já vivi enquanto benfiquista. Um ano a alimenta a ilusão para mesmo no fim levar duas bofetadas que deixaram qualquer benfiquista que se preze de rastos.
Um Benfica que começa manco do meio campo com Jesus a improvisar e a, mais uma vez, criar jogadores no "nada - brilhante época Enzo Pérez, com ovação mais do que merecida ontem - mas que a pouco e pouco foi achando a sua identidade e as soluções necessárias para manter uma época quase irrepreensível em termos de resultados.
Ontem discutia um uma benfiquista mais ferrenha do que eu, nada dada a racionalizações, onde é que tínhamos perdido o campeonato.
"No jogo com o Estoril" defendia eu.
"Não! O campeonato foi perdido no campo do adversário direto. Não há cá dessas mariquices. Se o porto é o nosso adversário é ao Porto que tínhamos que ganhar. Começámos a perder o campeonato no momento em que se adoptou esta linha de pensamento fatídica: Basta ganhar ao Estoril que já podemos ir perder ao Dragão" - replicou.
"Já podemos ir perder ao Dragão"
Este é o pensamento que nos condenou o campeonato.
Não foi a maldição do minuto 92, não foram as escolhas de gestão de Jorge Jesus para a época, foi a mentalidade - da qual eu partilhei logo no início da época ao ao olhar para o calendário e ver que o penúltimo jogo era na casa do adversário e advoguei que tínhamos que ir ao Dragão já campeões ou não havia nada para ninguém - a mentalidade, dizia eu, que admite que uma ida ao Dragão é derrota certa.
Mérito ao Futebol Clube do Porto e aos seus adeptos em que uma visita à Luz não mete medo. E nestes últimos anos ir jogar ao Dragão é, para um benfiquista, uma derrota certa.
Isso tem de acabar. Um campeonato faz-se de vitórias contra as outras equipas mas incluindo, e sobretudo incluindo, vitórias sobre os adversários diretos.
Muitos dirão, de que nos serve ir ganhar ao dragão se perdermos com o Rio Ave?
Ora aqui está uma época que nos servia de vitória no campeonato, porque ganhar ao Porto não é sinónimo de derrota com os mais fracos..
O ar derrotado dos jogadores e adeptos no fim do empate com o Estoril não foi apenas por causa de não se ter conseguido ganhar, foi já a assunção da derrota no Dragão. E foi essa mentalidade que nos derrotou esta época.
Ainda assim, e julgando pelo ambiente na luz ontem, houve uma evolução da mentalidade do adepto.Apesar de uma época de desilusão, a recepção à equipa e o modo como se foi apoiando os jogadores contra o Moreirense, apesar de uma primeira parte sofrível, mostra que se reconhece mérito à equipa e ao treinador. Por isso ontem na Luz a festa até foi bonita. O milagre não aconteceu mas aconteceu Benfica. Até para o ano, campeonato.
E Domingo há taça e, em solidariedade com muitos benfiquistas, cumprirei a minha promessa do bigode. Não irei ao Jamor, visto ter sido praticamente impossível adquirir bilhete, mas podem contar que este escriba vermelho estará a apoiar o Benfica e a limpar espuma de imperial do seu proeminente bigode!
Um Benfica que começa manco do meio campo com Jesus a improvisar e a, mais uma vez, criar jogadores no "nada - brilhante época Enzo Pérez, com ovação mais do que merecida ontem - mas que a pouco e pouco foi achando a sua identidade e as soluções necessárias para manter uma época quase irrepreensível em termos de resultados.
Ontem discutia um uma benfiquista mais ferrenha do que eu, nada dada a racionalizações, onde é que tínhamos perdido o campeonato.
"No jogo com o Estoril" defendia eu.
"Não! O campeonato foi perdido no campo do adversário direto. Não há cá dessas mariquices. Se o porto é o nosso adversário é ao Porto que tínhamos que ganhar. Começámos a perder o campeonato no momento em que se adoptou esta linha de pensamento fatídica: Basta ganhar ao Estoril que já podemos ir perder ao Dragão" - replicou.
"Já podemos ir perder ao Dragão"
Este é o pensamento que nos condenou o campeonato.
Não foi a maldição do minuto 92, não foram as escolhas de gestão de Jorge Jesus para a época, foi a mentalidade - da qual eu partilhei logo no início da época ao ao olhar para o calendário e ver que o penúltimo jogo era na casa do adversário e advoguei que tínhamos que ir ao Dragão já campeões ou não havia nada para ninguém - a mentalidade, dizia eu, que admite que uma ida ao Dragão é derrota certa.
Mérito ao Futebol Clube do Porto e aos seus adeptos em que uma visita à Luz não mete medo. E nestes últimos anos ir jogar ao Dragão é, para um benfiquista, uma derrota certa.
Isso tem de acabar. Um campeonato faz-se de vitórias contra as outras equipas mas incluindo, e sobretudo incluindo, vitórias sobre os adversários diretos.
Muitos dirão, de que nos serve ir ganhar ao dragão se perdermos com o Rio Ave?
Ora aqui está uma época que nos servia de vitória no campeonato, porque ganhar ao Porto não é sinónimo de derrota com os mais fracos..
O ar derrotado dos jogadores e adeptos no fim do empate com o Estoril não foi apenas por causa de não se ter conseguido ganhar, foi já a assunção da derrota no Dragão. E foi essa mentalidade que nos derrotou esta época.
Ainda assim, e julgando pelo ambiente na luz ontem, houve uma evolução da mentalidade do adepto.Apesar de uma época de desilusão, a recepção à equipa e o modo como se foi apoiando os jogadores contra o Moreirense, apesar de uma primeira parte sofrível, mostra que se reconhece mérito à equipa e ao treinador. Por isso ontem na Luz a festa até foi bonita. O milagre não aconteceu mas aconteceu Benfica. Até para o ano, campeonato.
E Domingo há taça e, em solidariedade com muitos benfiquistas, cumprirei a minha promessa do bigode. Não irei ao Jamor, visto ter sido praticamente impossível adquirir bilhete, mas podem contar que este escriba vermelho estará a apoiar o Benfica e a limpar espuma de imperial do seu proeminente bigode!
quarta-feira, 15 de maio de 2013
Isto hoje é sobre nós!
Não vou escrever hoje sobre a torrente de emoções que passei no sábado passado. Da ilusão à queda na realidade, da frustração de uma época alimentada a esperança foi um sábado como não vivia há muito a ver a bola. Acreditei até ao fim, embora não me surpreenda o desfecho. Morrer na praia é triste mas não é inédito e calha a todos. Foi a vez de sentirmos o balde de água fria assim como já tive na posição de vencedor aquando aquela gloriosa cabeçada do Luisão por cima dos bracinhos esvoaçantes como dois lençóis perdidos ao vento do Ricardo.
Embora de emoções muito fortes e desfecho emocionalmente violento, foi apenas mais um clássico. Foi apenas mais um campeonato, assim como muitos clássicos e campeonatos já passei desde que me lembro que sou do Benfica e inexoravelmente irei ver, viver, ganhar e perder enquanto o campeonato de futebol da primeira liga portuguesa existir.
Hoje no entanto é um sentimento diferente. o clássico de sábado foi apenas mais um clássico. Que pode valer um campeonato, assim como muitos puderam valer um campeonato nos últimos cinquenta anos.
O que eu não me lembro é do Benfica ter ganho uma final europeia. Lembro-me de ter visto duas e ter perdido. E é como se não me lembrasse pois já lá vão 23 anos, mais de metade da minha idade.
Por isso hoje o sentimento é diferente. Nada me move contra o Chelsea a não ser neste jogo específico. Não há uma rivalidade latente, uma emoção que agita as águas em permanência ao longo do ano inteiro.
O jogo de hoje não é sobre vencer o adversário direto, sobre hegemonia futebolística (pelo menos diretamente embora também o seja), sobre uma espécie de batalha constante sobre a prevalência do vermelho sobre o azul.
Não. O jogo de hoje não é acerca do outro no outro lado da barreira.
O jogo de hoje é só sobre nós. Sobre cada uma das gerações de benfiquistas que sempre viveram à sombra da glória europeia que antes tiveram e só puderam contar em videos, fotos e memórias.
O jogo de hoje conta apenas connosco e com os 11 representantes do mote que nos une naquilo que merecemos executar a cada um dos dias que jogamos contra um adversário estrangeiro.
Et Pluribus Unum.
O jogo de hoje é sobre o Eusébio, o Torres, o Simões, o Chalana, o Zé Aguas e o seu filho, sobre o Toni, o Ricardo, o Mozer, o Veloso, o Bento, o Humberto Coelho, o Thern, o Magnusson, o Nuno Gomes, o Rui Costa, o Simão Sabrosa, todos aqueles que um dia envergaram de vermelho na Europa e pegaram numa bola e correram para a baliza e fizeram cada um dos outros milhões de benfiquistas gritar "GOLO!" num jogo europeu e esperançaram-nos de os ver levantar uma taça em direto para o mundo.
Este jogo é sobre aquele puto que num aula de filosofia da secundária no ido ano de 1994 escutava os gloriosos 4-4 de Leverkusen nos fones escondidos entre os cabelos compridos e sobre a colega do lado que nervosamente me ia pedindo as atualizações e saltou a correr assim que a aula acabou.
O jogo de hoje é sobre mim, sobre a pessoa que conheci no estádio da Luz e hoje me faz feliz, sobre todos os que têm este bichinho na garganta que os faz gritar Benfica.
Isto hoje é só sobre nós e aquilo a que temos direito!
sexta-feira, 10 de maio de 2013
A Espada de Damocles
Eis chegados ao momento da verdade, aquele que para os temerários se torna um pesadelo e desejado para aqueles que honram a batalha.
A quais pertencerão os nossos bravos? (prometo que chega de perguntas retóricas).
O "nosso" Jota, ao qual se teceram loas anteriormente merecidas, presenteou-nos a nós, a mole vermelha que carrega no éter aquelas papoilas saltitantes, decidiu transvestir-se de Damocles (nem me preocupa a tradução...) e investiu sobre ele a discussão moral personificada na espada que sobre a sua cabeça pende.
Jesus - não o literal, embora aqui também coubesse bem - decidiu ao longo desta época ser bafejado pelo poder, pela vitória quase como se um metafórico tirano Dionísio lhe tivesse permitido dispor de todas as virtudes e luxúrias do reino do futebol. Convenhamos que ninguém acreditaria que uma equipa tão supostamente remendada, com um banco de suplentes de miúdos atentadoramente B's, pseudo prodígios reconvertidos e um Carlos Martins chegasse ao ponto de rebuçado atingindo um zénite que miúdos e jovens adultos nunca antes presenciaram. Mas como todas as histórias morais existe um final e uma sentença.
Tal como Cícero perguntava em jeito de conclusão, não existe felicidade em qualquer homem que viva sempre acossado sobre o medo, Jesus deverá finalmente provar que, apesar de toda a virtude e poder, será na assumpção da existência do medo e na sua transposição, que provará, em última instância, que merece as loas e as vitórias que decide lutar.
Isto leva-nos ao verdadeiro propósito deste texto - que poderia ter-vos poupado com a famosa expressão à la Solnado "não tenham medo de ser felizes" ou coisa parecida que o sentido literal é idêntico - que é o de acreditar que, apenas quem é corajoso, quem tem mais vontade poderá viver livre e vencer.
Não podemos viver na sombra, temos de demonstrar que somos merecedores, e como tal, acaba por ser uma justiça quasi divina que tenhamos de, pelo menos, não perder frente aos rivais, inimigos, corruptos, o que quiserem. E no final, qualquer que seja o resultado ou a Proençada arranjada, devemos sentir-nos orgulhosos apenas e só se tivermos sido corajosos, se tivermos vencido aquela incapacidade de olhar olhos nos olhos o adversário.
No desporto, onde todos somos iguais - e atenção, que no futebol mais parecido a um negócio, tal não será forçosamente real mas ainda assim idêntico - ganha sempre quem tiver mais vontade de vencer, quem olhar o medo nos olhos, quem consegue equipar-se num balneário fétido e mesmo agredido de um qualquer abel consegue meter duas "batatas" lá dentro e sorri no fim.
Sábado ganhará quem tiver essa vontade e consciência das suas debilidades, assumindo que mais vale termos o destino nas nossas mãos e arriscar do que submetermos à técnica e à pretensa qualidade esperando que o mundo seja, enfim, justo. Não o é. Nunca o será.
Por isso à luta, com 9 Maxis e um Cardozo, um rei Artur sem uma metafórica Guinevere que o distraia e coragem.
O povo que vos leva nas palminhas merece-o, mas os outros também o merecem, mesmo que para tal jogassem quase toda a época com jogadores de quatro pernas, mas numa coisa nunca se aquietaram: na vontade... The will to climb. É aí que teremos de ser melhores.
Jesus e restantes papoilas, não se acanhem, lutem.
Para além de uma palestra do César Brito, ou de um vídeo do Ray Lewis, ver (não olhar...) e sentir isto também seria bom:
À Guerra, ide-vos a lutar, por vocês e por nós!
A quais pertencerão os nossos bravos? (prometo que chega de perguntas retóricas).
O "nosso" Jota, ao qual se teceram loas anteriormente merecidas, presenteou-nos a nós, a mole vermelha que carrega no éter aquelas papoilas saltitantes, decidiu transvestir-se de Damocles (nem me preocupa a tradução...) e investiu sobre ele a discussão moral personificada na espada que sobre a sua cabeça pende.
Jesus - não o literal, embora aqui também coubesse bem - decidiu ao longo desta época ser bafejado pelo poder, pela vitória quase como se um metafórico tirano Dionísio lhe tivesse permitido dispor de todas as virtudes e luxúrias do reino do futebol. Convenhamos que ninguém acreditaria que uma equipa tão supostamente remendada, com um banco de suplentes de miúdos atentadoramente B's, pseudo prodígios reconvertidos e um Carlos Martins chegasse ao ponto de rebuçado atingindo um zénite que miúdos e jovens adultos nunca antes presenciaram. Mas como todas as histórias morais existe um final e uma sentença.
Tal como Cícero perguntava em jeito de conclusão, não existe felicidade em qualquer homem que viva sempre acossado sobre o medo, Jesus deverá finalmente provar que, apesar de toda a virtude e poder, será na assumpção da existência do medo e na sua transposição, que provará, em última instância, que merece as loas e as vitórias que decide lutar.
Isto leva-nos ao verdadeiro propósito deste texto - que poderia ter-vos poupado com a famosa expressão à la Solnado "não tenham medo de ser felizes" ou coisa parecida que o sentido literal é idêntico - que é o de acreditar que, apenas quem é corajoso, quem tem mais vontade poderá viver livre e vencer.
Não podemos viver na sombra, temos de demonstrar que somos merecedores, e como tal, acaba por ser uma justiça quasi divina que tenhamos de, pelo menos, não perder frente aos rivais, inimigos, corruptos, o que quiserem. E no final, qualquer que seja o resultado ou a Proençada arranjada, devemos sentir-nos orgulhosos apenas e só se tivermos sido corajosos, se tivermos vencido aquela incapacidade de olhar olhos nos olhos o adversário.
No desporto, onde todos somos iguais - e atenção, que no futebol mais parecido a um negócio, tal não será forçosamente real mas ainda assim idêntico - ganha sempre quem tiver mais vontade de vencer, quem olhar o medo nos olhos, quem consegue equipar-se num balneário fétido e mesmo agredido de um qualquer abel consegue meter duas "batatas" lá dentro e sorri no fim.
Sábado ganhará quem tiver essa vontade e consciência das suas debilidades, assumindo que mais vale termos o destino nas nossas mãos e arriscar do que submetermos à técnica e à pretensa qualidade esperando que o mundo seja, enfim, justo. Não o é. Nunca o será.
Por isso à luta, com 9 Maxis e um Cardozo, um rei Artur sem uma metafórica Guinevere que o distraia e coragem.
O povo que vos leva nas palminhas merece-o, mas os outros também o merecem, mesmo que para tal jogassem quase toda a época com jogadores de quatro pernas, mas numa coisa nunca se aquietaram: na vontade... The will to climb. É aí que teremos de ser melhores.
Jesus e restantes papoilas, não se acanhem, lutem.
Para além de uma palestra do César Brito, ou de um vídeo do Ray Lewis, ver (não olhar...) e sentir isto também seria bom:
À Guerra, ide-vos a lutar, por vocês e por nós!
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