sexta-feira, 14 de março de 2014

Um gajo da Amadora III (nómber tri)

Antes de mais, devo frisar a minha observação do post imediatamente anterior a este quando referi que o Luisão está a fazer a melhor época que já vi desde que está no Benfica. É certo que já tem 33 anos mas é um central com uma classe, frieza e dedicação como há muito não vejo no meu clube. desde talvez, o Ricardo. Em 11 anos talvez não tenha sido sempre assim mas esta época está insuperável. Obrigado capitão. és, mesmo, o maior. Magnífico jogo ontem em Londres. Magnífico Ruben, magnífico gaitan a entrar perfeito. Muito bom jogo. Pode não dar em nada no resultado final da competição, mas assim deu prazer ver o meu Benfica jogar.

Agora voltemos ao gajo da Amadora. Não é a primeira nem a segunda vez, aqui fica a terceira crónica do gajo da Amadora num blogue que pouco mais de um ano tem.

Jesus! É o maior, foda-se... (Não tão grande quanto o Luisão...) O maior mitra, xunga, qualquer adjetivo que queiram, mas é o Jesus! Com altos e baixos, com mais ou menos teimosia, com mais ou menos títulos conquistados e mais perdidos, com erros crassos de gestão e jogadas tátricas brilhantes, o que o Jesus é, inegavel e eternamente, é só mais um gajo da Amadora.

Ontem o treinador dos Spurs respondia com alguma azia que Jesus não tinha classe...

Ponho-te tri fingers in the ass
Se o Tim Sherwood viesse a Lisboa um dia, fosse ali a Sete Rios, apanhasse um qualquer comboio que dissesse Mira-Sintra/Meleças e saísse na estação da Amadora e andasse uns metros do Jardim até à à Venteira ou andasse até à Reboleira, ou visitasse a Margem Sul, aqui na Amora e refizesse o percurso do Jesus ali Medideira, passeasse desde o campo do Amora até ao Bairro 25 de Abril ali ao acabar a Quinta do Batateiro, na fronteira da Quinta da Princesa, saberia que era escusado tentar juntar na mesma frase "Classe" e "Jorge Jesus".

Esqueçam isso, deixem de ladrar a essa porta. Jesus é e há-de ser sempre assim. Não lhe pedimos classe, pedimos-lhe que dignifique as equipas do Benfica e se o preço para colocar o Glorioso a jogar da forma que jogou ontem é ser o mitra irascível que volta e meia se liberta da máscara e mostra as suas raízes cultivadas entre a Reboleira e a Medideira, então pode passar o resto da época a enfiar dedos nas trombas dos treinadores adversários.

A penny it's a penny and a cretin is a cretin, diria o Manuel Machado.

Rola a bola.

P. S., Já agora, estive a ver o resumo do Porto ontem. 
Mas estavam a jogar à porta fechada? Não estava lá ninguém... Estão à espera dos One Direction para terem uma enchente este ano?

Está bem que a Liga Europa não é a Champions mas esse barco para o Porto já passou há dez anos. O Porto hoje pertence ao mesmo clube que o Benfica. a segunda liga europeia. Os adeptos que não se iludam que durante muitos anos na Europa noites de bons resultados nas competições europeias não irão ser muito mais diferentes da de ontem. Convém aproveitá-las.

Já agora, a culpa não era só do macaco mal amestrado. O Alex Sandro viu o amarelo no jogo de ontem e não joga em Itália. Joga quem? Tem de ser o Mangala. O Porto teve a época inteira a jogar só com dois laterais. Querem ganhar o quê assim?


segunda-feira, 10 de março de 2014

Só mais uma jornada.

Quando comecei este blogue estava cheio de ilusões e certezas e há certezas que permanecem inabaláveis. Que o Benfica é o maior clube do mundo, que o Eusébio era deus na terra, que ir ao Estádio da Luz é meia razão para estar vivo. As ilusões esvaziaram-se entretanto desde maio passado. Por isso é que há um ano este blogue tinha em fevereiro seis glorioses posts cheios de alegria e orgulho vermelho que iluminavam o caminho da verdade benfiquista com o futuro mais que certo e este ano o segundo mês de 2014 apenas tem um post, isto apesar da vitória caseira contra o Sporting e os resultados mais ou menos decentes na Europa. As desilusões têm esta capacidade enegrecida de sugar a alegria e esperança no futuro mas também têm a capacidade de nos deixar mais realistas, cautelosos e com uma dose de cinismo que de outro modo seria impossível cultivar.

Com os resultados de ontem, se fosse no ano passado, estaria cheio de tesão e espumaria vitória dos poros em cada palavra que escrevesse. Hoje apenas digo:


Grande Luisão. Estás a fazer a melhor época no Benfica desde que te vi chegar há 11 anos atrás. És um dos maiores capitães que este clube já teve. Humildade, trabalho, raça. Parte do que o Benfica é hoje e foi na última década, para o mal e para o bem, está na careca deste senhor. Obrigado por tudo, independentemente de como acabarmos esta época.

Grande Gaitán. É um jogador excecional e apenas a irregularidade das suas exibições o impediu de ter saído do Benfica há mais tempo. Tem feito uma época portentosa e merece que a sua saída inevitável no fim da época seja coroada com um título.

De resto, não acredito em fantasmas. Cada época é uma época e esta época nada tem a ver com a época passada. O ano passado empatámos com o Estoril depois de uma vitória arrancada a ferros na Madeira, com os jogadores esgotadíssimos física e emocionalmente e com mais um momento Carlos Martins para a posteridade. Este ano andamos a passear pelo campeonato enquanto os rivais diretos se embrulham aos tropeções a 7 e a 9 pontos de distância. Não acredito em fantasmas. "Pero que los hay...." dirão vocês. Pois, mesmo que existam, não acredito neles e estou-me nas tintas para eles se existirem Assim, se maio bater-nos de frente outra vez, não será uma surpresa, se não bater, também não. A história pode-se repetir mas os sentimentos já não. Na verdade, já estou à espera de tudo, por isso, que se lixe e siga a bola.

Agora... Para mais um momento Calimero!

O Sporting é encavado à grande e à charroque em Setúbal depois de ver um golo mal anulado e um penalti inventado em cima do apito final por um árbitro da AF Porto, mesmo a jeito e a tempo do FC Porto ressuscitar, agora que não tem mais nenhum macaco amestrado mas sim um tipo qualquer de cabelo branco que foram buscar aos arquivos e que se lembrou que tem mais plantel e podia fazer qualquer coisa mais do que o macaco amestrado anterior. Assim, vindo do nada e em vésperas de clássico, o Porto, que estaria em risco de ver fugir o acesso direto ao abono de família da Champions fica de repente a dois pontos da lagartagem com a possibilidade de vir a Lisboa recuperar o segundo lugar.

Primeiro:

Esta seria a teoria da conspiração imediata mas parece que há ainda muito sportingusta, principalmente na blogosfera, que, mesmo que esteja à beira de ver o seu segundo lugar roubado à grande e à portista só vê vermelho à frente. Muitas vezes parece que Sporting, mesmo que esteja a ser comido por trás à bruta por uma gigantesca pila azul, só consegue ver vermelho. Mesmo que o vermelho já esteja a sete pontos de distância.

Segundo:

Parece que ontem no Bonfim só existiu um golo mal anuladoo e um penalti inventado. Parece que o golo do Slimani foi uma coisa inequívoca e que o Capel foi violentamente derrubado por um adversário na área.

É impressionante como para muitos Calimeros de Alvalade, apesar dos casos em que têm razão de queixa, mesmo a marcar dois golos com uma bola que ninguém viu a entrar a não ser o fiscal de linha e com um penalti que só o árbitro viu, com o Porto a cheirar-lhes o segundo lugar a uma semana do clássico, consegue ainda por cima disto tudo dizer que o Benfica está a ser levado ao colo.

Chiça...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Os macacos amestrados e o pouco entusiasmo.

Há já mais de um mês que aqui não vinha deixar o bitaite vermelho e não foi por falta de assunto.O meu último artigo versava sobre a nossa vitória sobre o clube dos andrades e seu macaco amestrado e de como conseguimos arrancar a alma do Eusébio de volta à Luz para uma vitória inédita em cinco anos.

Depois disso muito se passou, nomeadamente uma tempestade de nome Stephanie (porque raio dão o nome de filha de emigrante a uma tempestade, ultrapassa-me) que fez uns estragos lá pela catedral, uma vitória categórica e sem grande contestação por parte de ninguém do gloriose sorbe o Sporting, uma gestão mais ou menos equilibrada com doses iguais de critério e sorte por parte de Jesus no regresso às conpetições europeias e a concretização da hecatombe anunciada dos andrades e seu macaco amestrado.

Quanto à vitória do Glorioso sobre os putos do Sporting muito haveria para escrever, principalmente da minha parte que tive de ir ao Estádio duas vezes empaturrar-me de bifanas e entremeada para finalmente conseguir ver um derby (finalmente uma das minhas falhas enquanto benfiquista foi colmatada. ver o Benfica a dar uma abada ao Sporting em pleno Estádio da Luz). Só que a evidência da vitória foi tal, a ausência de casos de arbitragem foi nula, a ausência de capacidade de ganhar do Sporting e a assunção direta, honesta e lúcida dos dirigentes, jogadores e treinador do Sporting foi de tal mode evidente e desarmante que deixou-me a mim, benfiquista, sem ponta para pegar e chagar a cabeça à lagartagem.

Noutros derbys haveria luta de parte a parte, expulsões, polémicas, a lagartagem espumaria da boca, os benfiquistas esfregariam argumentos na cara dos seus adversários, gritava-se, acusava-se, fazia-se trinta por uma linha. Não. O que se passou foi um jogo normal de uma equipa superior que ganhou a uma equipa que ainda não tem maturidade para se bater de igual para igual. Ponto final. 2-0. 3 pontos e o Sporting segue para a próxima sem mais. Que raio de piada isso tem??

Adiante.

Hoje o Benfica pode-se adiantar na tabela classificativa com 7 pontos de avança sobre o Porto e 5 sobre o Sporting. Terá de de o fazer, até porque Jesus assumiu de tal forma a prioridade do campeonato que até põe a equipa B a jogar na europa e com resultados positivos. Portanto hoje não há desculpa para falhar.

Quanto ao Porto, sem surpresas. O clube tem vivido já há muitos anos à sombra de uma bananeira que está a nmirrar. Ou seja, a capacidade de contruitr uma equipa à volta de uma estrutura bem oleada em que basta apenas trocar os jogadores e meter um macaco amestrado a apontar com o dedo para que aquilo funcione. Mas essa fórmula não pode durar para sempre Não é a primeira vez que escrevo sobre isso aqui, portanto não me vou alongar.

Uma equipa que substitui Moutinho e James por Josué e Licá e não tem laterais nem centrais no banco, o seu motor de meio campo abandona o barco a meio para ir ganhar dinheiro para as Arábias e que o único reforço de inverno é um Quaresma com 30 anos e com ano e meio a jogar aos bochechos que ainda assim chega e faz dois ou três brilharetes para evitar que o barco de afunde mais depressa (mas não que se afunde), é uma equipa que está já na curva descendente.

E percebe-se melhor que está na curva descendente quando em pleno Estádio do Dragão... ao minuto 80.... um árbitro vê um penalti... contra o Porto... assinala-o... e expulsa o jogador que o comete... em pleno estádio do Dragão... Podem ir lá fora ver se está a chover gafanhotos ou o céu está em sangue que eu espero aqui um bocadinho.

Ainda assim o meu entusiasmo não é grande. Depois do que passei o ano passado não consigo entusiasmar-me o suficiente. Acho que só vou começar a acreditar que é este ano quando formos ao Dragão com mais de três pontos de avanço, ou seja, já campeões, e ajudarmos a afundar o que resta do Porto desta época. Ou então não.

Enfim.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A Verdade de um clássico

Porra! Estava a ver que não era desta! O cinismo contrastante da capa do jornal "O Jogo" com os restantes diários desportivos nas capas do dia após o clássico de domingo demonstra, para além da azia evidente que este resultado causou na redação do pasquim oficioso dos Andrades, uma verdade e um sentimento transversal a todos os benfiquistas.

"À oitava foi de vez"

O Jesus lá conseguiu ganhar um jogo ao Futebol Culube do Porto, para o campeonato, quatro anos depois. E fê-lo com a autoridade inequívoca de um líder que merece estar nesse lugar. Ainda para mais nas circunstãncias embargadas pela carga emocional da morte do Eusébio. Era de facto importante ter ganho este jogo. Foi preciso ter acontecido o que aconteceu para que, finalmente, em frente ao Porto, tenhamos tido uma exibição com confiança, com garra, com alma? Ou este Porto é mais fraco? De tudo um pouco parece-me.

Desde que começou esta época que já observei várias vezes. Ao Porto não lhe basta ter um macaco amestrado a conduzir o 4-3-3 oleado do costume. Convém ter jogadores para o macaco amestrado apontar o dedo para a baliza.

Recordemos que o macaco amestrado da época passada apontava o dedo para a baliza a Jackson, James Rodriguez e Moutinho e isso é ligeiramente diferente que ter um macaco amestrado a apontar o dedo a Josué e Licá. Os pobres Jackson e Fernando bem pode andar ali a correr desalmados que pouco lhes servirá.

Jesus surpreendeu não por colocar Oblak na baliza (aposta de risco ganha. Artur não vai para novo e mais vale apostar em jovens com valor do que comprar outro Roberto) mas sim por jogar sem medo, com o seu 4-4-2 clássico com Rodrigo á solta e Markovic a vagabundear (90 minutos em grande. Mais um ano e estamos prontos a vendê-lo por mais uns milhões) e a dar cabo da cabeça àquele meio campo fraquinho do Porto.

Golos de raiva de Rodrigo e Garay, a enfiar um pontapé e uma cabeçada no marasmo dos jogos do Benfica contra o Porto desde há uns anos para cá (era preciso terem o nome do eusébio na camisola?). Tudo isto num ambiente de genuína homenagem e respeito trasnversal, claque do Porto incluída. Ao contrário do dia anterior em Alvalade, na Luz houve respeito pelo minuto de silêncio. Que seja para continuar.

A cara de Rodrigo após o golo demonstrou uma vontade e raiva de ganhar que há muito não víamso em jogos contra o Porto. Vamos a ver se esta raiva e vontade não se transferem para outro clube....
A verdade, no entanto, é que clássico que é clássico não acaba sem polémica e expulsões. A grande diferença para a roubalheira dos anos anteriores é que este ano o Porto nem a roubalheira consegue aproveitar, seja por azelhice própria, seja pela espécie de justiça divina que aconteceu no domingo à tarde. Este ano ao Porto não têm faltado penalties oferecidos que não consegue aproveitar ou perdoados que não consegue dar a volta. E depois tem azar e quando as coisas se voltam contra eles já não lhes parece tão bem.

Na primeira parte do domínio territorial do Benfica após o 1-0, ao Porto foram-lhe oferecidas umas quantas benesses. Um fora de jogo não assinalado que Jackson não aproveitou e uma expulsão perdoada ao mesmo Jackson. O Porto teria tudo, noutras épocas, para se galvanizar. Já na segunda parte a coisa inicia com uma mão escandalosamente evidente de Mangala que Artur Soares Dias resolve não assinalar para dar canto. Valha-nos a deusa da vitória que, desse canto, teleguia a bola direta à cabeça de Garay para o 2-0, que a justiça também se faz assim.

De repente tudo se inverte e Artur Soares Dias acha que isto só ficava bem se começasse a roubar para o outro lado já que a roubalheira dos primeiros 50 minutos em nada resultou.

Garay comete um penalty evidente sobre o Quaresma (que com 30 anos e mais uns quilos tem mais futebol na ponta da bota direita que Josué ou Licá juntos) que Soares Dias resolve não ver, esquece-se aplicar a lei da vantagem e expula absurdamente Danilo.

Pois é, mas temos pena. Quando o Porto finalmente perceber que não basta ter um gajo qualquer a apontar o dedo e árbitros amigos, que convém ter jogadores que aproveitem bem essas benesses e perceber que há jogadores que não fazem nada numa equipa como o Porto, pode ser que deixe de choramingar quando é prejudicado duas vezes já quando têm a equipa de rastos e levaram dois golaços na Luz

Noutros tempos isto seria bastante para incendiar os ânimos para muitas semanas mas Paulo Fonseca consegue a proeza de deixar um sentimento de incompetência do Porto na Luz tão evidente perante todos que ninguém coloca em causa a superioridade do Benfica neste jogo.

Já o Sporting

*sons de grilos

Vamos a ver como corre esta segunda volta. Paulo Fonseca disse o que pouco mais poderia dizer. Acredita cegamente que será campeão na última jornada.

Este ano, para variar, gostaria de ir ao Dragão já campeão mas não recente. Caramba. Já é altura de sermos campeões a umas boas 4 jornadas do fim e não na última como foi nos dois últimos. Chega de sofrer, porra!

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

DEUSÉBIO

Hoje é dia de Rei...

O dia em que o nosso Pantera Negra ascende ao quarto anel, para desejavelmente iluminar o panteão de Cosme Damião, José Águas e de tantos outros que continuam a ver o Glorioso aqui em baixo.... Tantos outros não, o King era diferente, era único e não era só nosso, era de Todos!

Ontem muitos daqueles que como eu o viram jogar em documentários, vídeos, recordações, memórias, palavras de mais velhos não sentiram menos tristeza do que o seniores que o viram jogar em televisões comunitárias ou os miúdos que o viam com a toalhinha branca a andar tropego no relvado. Eusébio foi uma luz de esperança numa juventude com futuro sombrio, foi um símbolo de superação e talento numa nação e uma prova de humildade quase constrangedora na simplicidade nobre que só os maiores têm.

Um dia a minha mãe perguntou-me aquando das suas saídas do Hospital da Luz como achava que iria ser quando DEusébio finasse, eu disse-lhe que no dia seguinte devia ser feriado nacional... ontem foi a primeira pergunta que me fez, se hoje seria feriado e encheu-me de alegria pela sua recordação.
Eu disse-lhe que sim, que deveria, que noutros países até é, e que aqui será sem dúvida um dia mais triste e de luto. Mas também de alegria igual ao sorriso genuíno, à humildade transbordante do homem que guardava dos adversários amigos e que de quando em vez há-de descer até nós para nos recordar que o Benfica ainda existe.

Descansa em paz!

P.S. Quando chegares lá acima, grande Deusébio, procura o feiticeiro hungaro e diz-lhe das boas para ver se o gajo levanta a maldição.




domingo, 5 de janeiro de 2014

O Rei morreu. Viva o Rei

A escolha da imagem para o fundo desta página retrata bem o que povoa o imaginário de qualquer benfiquista. Quando decidi escrever este blogue não perdi muito tempo a pensar o que ilustraria o fundo deste modesto canto de escribas benfiquistas.

Eusébio morreu hoje. A imagem fica para sempre em todos nós.

O meu pai, velho comunista empedernido e revolucionário de todas as causas operárias, nunca foi grande fã de bola, pelo menos como se entende muitas vezes o que é um pai benfiquista.

Ligou-me hoje a perguntar se estava a caminho do estádio da Luz prestar homenagem ao Rei, e com a voz embargada, de uma forma que me surpreendeu, disse-me apenas.

"Estou profundamente triste, foi um símbolo da minha juventude..."

Foi um símbolo de todos nós.
  
Todos morrem um dia, Eusébio não foi excepção. Nunca o vi jogar. Quando aprendi a dizer Benfica já o Eusébio arrastava as últimas forças da vontade de jogar à bola pelo União de Tomar. Mas aquela imagem que todos conhecemos do Eusébio a dobrar o corpo ao longo da perna que acabou de disparar uma bala direto à baliza foi o que sempre me contou a história do que é rematar para golo. E o futebol é marcar golos, é rematar à baliza.

O Eusébio ensinou a todos o que é rematar uma bola.

O corpo deixa esta terra amanhã.

O Rei viverá para sempre.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Agora está mais abafado cá em cima.

Declaração de intenções. Quando decidi começar a escrever este blogue foi, primeiro, por andar nestas coisas da blogosfera desde que ela foi criada e, vá-se lá saber porquê, nunca ter querido escrever sobre bola. Depois, foi com aquela sensação que o ano passado iria ser "o ano de Benfica". Foi-o pelas piores razões. O mês de maio de 2013  deixou marcas profundas que se ressentem na minha disponibilidade mental para escrever algo de entusiasmante ou entusiasmado pelo Benfica após o fatídico 5º mês do ano.

Exemplo disso foi o meu último post que com o Benfica líder estava outra vez embebido de ilusão. quando as coisas começaram a correr mal o entusiasmo foi-se. Mas o que é giro na bola é que bastam três jornadas e volta-se tudo a misturar e o que era ontem verdade hoje é mentira e o que ontem era certeza hoje é o seu oposto e as contas, como sempre, fazem-se sempre no fim.


Há três semanas estava todo contente não tanto por o Benfica ir em primeiro (ocupava esse pódio com o Sporting) mas pelo Porto estar a fazer exibições miseráveis. Em duas jornadas loucas o Benfica perde a liderança num jogo absurdo com o Arouca, deixa-se apanhar pelo Porto e deixa fugir o Sporting.

Eis que o Porto e o seu macaco amestrado percebem que lhes falta qualquer coisa na equipa e repescam Carlos Eduardo, que perfuma a equipa suficiente para marcar 7 golos em dois jogos e morder os calcanhares ao Benfica e deixar de sobreaviso o líder.

Acto contínuo, após as vitórias de Benfica e Porto, eis que nesta jornada o Sporting cumpre uma das minhas previsões e deixa-se atacar pela pressão. Empata com o Nacional e volta à sua condição de Calimero a choramingar pela roubalheira de que foi alvo. Pela reação dos putos e pelos relatos do balneário, o Sporting pode até estar a jogar com alma e pouca pressão mas já se vê que quando algo corre mal o fantasma Calimero depressa ataca e não consegue lidar com os infortúnio. Vão vejo o Sporting a saber ser líder e sabe-o ainda menos que o Benfica ou o Porto, que sabem mas não conseguem.

Mais ainda.

Quando na jornada anterior o Sporting ganha 3-0 num jogo em que o primeiro golo nasce de uma grande penalidade marcada de forma completamente irreal mas embala para uma vitória segura, foi mais ou menos unânime que, apesar do golo que lança a goleada ter nascido de uma falta fora do campo, a exibição do Sporting fez por merecer a vitória.

Ou seja, a superioridade foi por demais evidente de tal forma que a estética se sobrepôes à ética e o merecimento da condição de líder não poderia ser posta em causa.

A tese a semana passada foi " O Sporting apesar de ter beneficiado de um lance irregular para iniciar uma goleada merece ser líder porque durante os 90 minutos mais do que justificou a vitória"

Já esta jornada todo o ónus do merecimento da condição de líder isolado cai sobre o golo supostamente mal anulado a Slimani e não sobre a incapacidade do Sporting ter marcado qualquer golo em 90 minutos fora do lance de Slimani.

Portanto, a tese do sportinguista para esta semana é a que "O Sporting merecia estar na frente isolado porque nos roubaram o golo limpo" em vez de "O Sporting merece ser apanhado pelo Benfica e Porto porque não fez a ponta de um chavelho durante 89 minutos para que justificasse a liderança.

Calimeros...

Agora a três já não se respira tão bem cá em cima e está um pouco mais bafiento o ambiente.

A estatísticas valem o que valem mas da última vez que o lugar de líder no Natal foi ocupado pelos 3 grandes foi quando o Benfica de Trapattoni foi campeão... a jogar à defesa com o Nuno Assis a 10 e o  Petit a distribuir fruta no meio campo.

Mas digo isto só para encher chouriços que o entusiasmo não é muito.

Maio ainda me dói