segunda-feira, 18 de maio de 2015

A verdade do 34? Rumo ao 35

Não escrevia aqui há 5 meses, desde a magnífica vitória no Dragão. Também não foi preciso. Penso que foi aí que se decidiu o campeonato. Por todas as razões habituais e mais algumas, incluindo uma que me parece a mais evidente. O Benfica arrancou há 3 anos para um domínio no futebol que só não começou mais cedo porque um qualquer jogador obscuro arrancou pelo lado esquerdo do relvado do Dragão e ofereceu um campeonato a um Vítor Pereira já farto do Pinto da Costa que assim que pôde, pôs-se nas putas. 
Desde aí que Jesus sabia o que queria fazer e conseguiu-o. Ser Bicampeão. Facto inédito em 31 anos, facto inédito para um treinador português e no fim arrisca-se a ser o treinador mais ganhador de sempre do Benfica. Só lhe falta a Europa. Não acredito num Jesus europeu. Pode ser que me engane. para isso é preciso que fique mas isso serão outras contas.

Outra coisa ficou evidente. Ao Porto que já não basta comprar jogadores aos quilos e meter um macaco amestrado à frente da equipa para ganhar campeonatos.  As equipas, os árbitros e os adeptos deixaram de ter medo e respeito pelo Porto enquanto clube de futebol. Este ano meteu a carne toda no assador e de nada serviu e até o primeiro macaco amestrado de seu nome Paulo Fonseca conseguiu ganhar mais títulos com menos equipa do que este treinador aziado, e em última análise incompetente. 
Falhou em todos os jogos decisivos, repito, decisivos. Perde no Dragão frente aos principais rivais, para o campeonato e para a Taça, perde para a Taça da Liga, não teve uma ponta de vontade de ganhar na Luz e oferece o campeonato ao Benfica antecipadamente em Belém. Ganhar 3-1 ao Bayern foi apenas um bom resultado. No jogo decisivo claudicou como uma menina perdida na floresta a urinar-se de vergonha e desespero.
 
O que fica disto tudo é o Benfica estar prestes a ultrapassar o Porto em títulos oficiais e o projecto do Pinto da Costa em ultrapassar o Benfica em campeonatos nacionais está agora a 7 anos de acontecer. 7 anos que não devem ser suficientes sequer para o velho se manter vivo quanto mais ver o Porto ganhar mais campeonatos do que o Benfica. Neste momento a única coisa que o Porto tem a mais que o Benfica é palmarés internacional mas o calendário tem o mau hábito de não fazer pausas nem voltar para trás  e isso já começa a fazer mais parte do passado do que do presente.
O Benfica é grande o suficiente para poder ultrapassar o Porto nesse campo, porque o Benfica é maior do que o presente, o passado e o futuro e a sua história ultrapassará a vida de todos nós.
Algumas palavras finais aos obreiros deste bicampeonato:

Grande Luisão. É o nosso capitão, o nosso farol. Não sou do tempo do Eusébio nem do Simões mas o Luisão é juntamente com eles um dos maiores símbolos deste clube. Estes últimos campeonatos têm todos o dedo (e a cabeça) dele. 


Jardel. Como bem apontou a Clara Alves, tinha de suprir esta falha. O Jardel tinha a tarefa hercúlea de fazer esquecer Garay. Para além de ter cumprido ainda enfiou uma batata ao Sporting ao minuto 94 quando já se ouviam olés das gentes de Alvalade num jogo fundamentalíssimo para manter a liderança incólume. Um verdadeiro leão em casa alheia.

Maxi Pereira. Há lá melhor lateral a jogar em Portugal? Ou no mundo? Não me venham com histórias. A melhor época de sempre ao serviço do glorioso.
 

Gaitan. Este nome é causa sui. O Benfica sem Gaitan não é a mesma coisa. Mérito para Jesus que soube suprir a sua falta aquando de lesões ou castigos. Mas com ele em campo nestes últimos anos tem sido outra coisa. A brincar a brincar será um dos que mais falta fará.

Lima. Lima. Lima.

JOOOOOOOONNNNNNAAAAAAAAAAASSSSS! (Vénia)

Júlio César. Depois do miserável mundial veio reerguer-se e espalhar classe nos relvados portugueses. Obrigado por isso.

Jorge Jesus. Depois de perder Oblak, Siqueira, Matic, Enzo Perz e Markovic, inventa um trinco e um médio centro em Samaris e Pizzi e consegue ser campeão com o Eliseu? E isto contra uma equipa que tinha Danilo, Alexsandro, Brahimi, Jackson, Quaresma, Torres e Tello?
Foooodaaaa-se, o homem fez mesmo jus ao nome.
Uma imagem final

O Karma é uma puta, puta....

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Benfica fez-me perder o totobola

Volta e meia jogo no Totobola. O totoloto e o euromilhões vieram espatifar o clássico 1X2 e isso repercute-se nos prémios miseráveis mas, volta e meia, gosto de mandar paplites da bola em forma de cruzinhas.
Tinha uns cobres no jogossantacasa.pt e após a habitual ronda pelos jogos maiores lembrei-me que era fim de semana de clássico e resojvi dar-me a um assomo de fé e apostar na vitória do Benfica no clássico.

Tudo apontava para mais uma ida do Glorioso ao Dragão a jogar para o empate e sair de lá com uma derrota mas enchi-me de certezas e apostei na vitória do Benfica no Totobola.

Mas como o jogo das cruzinhas já não é o que era agora tem uma coisa chamada super 14 que dá um extra qualquer se se adivinhare o resultrade de um pré-determinado jogo. Por isso a aposta no clássico no Totobola desta semana teve de ser muito mais específica. E a fezada foi mais racional. Apostei na vitória por 0-1.

Pensei: "O Jesus não vai fugir à sua mentalidade e vai ao Dragão para não perder mas a sorte pode mudar e tenho uma fezada de vitória"

Não andou longe da verdade. Jesus foi ao Porto para não perder, a diferença é que desta vez montou a equipa de acordo com as limitações que tem e transmitiu na perfeição as suas intenções. O Porto e o seu carrossel de estrelas foi completamente manietado. O domínio foi consentido e controlado e os dois laterias do Benfica fizeram um jogo de tal modo enorme que os extremos do Porto nem se viram.

Lopetegui já mostrou que não tem capacidade para estas andanças dos clássicos. Ter um Porto Benfica em que está em causa a liderança do canmpeonato e não meter o Quaresma, o único jogador do Porto que sabe o que jogar um clássico, é o mesmo que não querer ganhar. E tanto se vê que não é treinador para estas andanças que em 3 clássicos não ganhou nenhum e soma duas derrotas, duas delas em casa.

Duas batatas do Lima que foi colocado para a porrada e não propriamente para fazer miséria na grande área do Porto, foram o suficiente para mostrar quem manda no campeonato e deixar o Lopetegui com um discurso à Paulo Ferreira (que com as mesmas jornadas jogadas consegue ter feito melhor que este espanhol no campeonato o ano passado...). O resto foi a estrelinha de campeão nas duas bolas na barra do único jogador do Porto que rumou contra a maré (mais o Quaresma coitado que mesmo sem jogar de início parece carregar com a equipa às costas).

E assim, raiosparta o Lima, estragou-me o Totobola! (Isso e o Sporting... foda-se, empatar com o Moreirense já aos 92? Mas quem me manda a mim apostar que o Sporting ganha?)

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Benfica ganhou? Lidem com isso

Parece que estava à espera de uma vitória na Champions para voltar a escrever. mesmo que essa vitória tenha sido arrancada a ferros, depois de uma exibição constantemente em esforço e atabalhoada e alimentada a motor Talisca.

O Talisca parece ser a nova coqueluche do Benfica. E em muito se parece com outro menino de ouro do glorioso, o João Pinto. Um vagabundo da área, não se sabe se joga à esquerda, se joga a médio centro, se a número 10 ou avançado. Dêm-lhe a bola que ele há-de inventar qualquer coisa com ela. E assim tem safado o Benfica nos últimos jogos, arrancados a ferros.

Falta-nos garra. Falta-nos pulmão a meio campo (Fejsa, volta rápido) falta-nos instinto matador. Lima não vai para novo e sente-se que lhe falta um Rodrigo para as trocas de posição e desmarcações ou um Cardozo para deambular livre pela área. Jonas pode fazer isso mas também não vai para novo e só serve para o mercado interno. Derley não tem pernas para estas andanças europeias. E nas alas? Se não há Gaitàn ou Salvio e o Ola se lesiona há o quê? Pizzi? Tiago?

Tudo isso revelou-se no jogo de ontem que ainda assim mostrou um Júlio César a mostrar porque é que é há tantos anos o titular da baliza do Brasil (há ali bolas que o César safa que tenho impressão que o Artur ia chegar um nadinha atrasado) e um Talisca abono de família que todos os benfiquistas rezam para que não se lesione...

E não quero deixar de falar no elefante na sala e este é bem grande:

Não é que esteja a desculpar o penalti descarado do Jardel - xiça, o homem nem disfarça - ou a não expulsão do Enzo, mas antes há um penalti não assinalado por derrube ao Derley e uma falha técnica grave do árbitro ao cortar um lance de ataque isolado numa incompetente não utilização da lei da vantagem. 

É óbvio que uma mão ostensiva na grande área é esteticamente mais apelativa para os críticos principalmente quando é ao fechar do pano, pelo que nestas alturas faz-se a habitual instrumentalização das cegueiras seletivas e silêncios convenientes. 

Na verdade estou-me a cagar para o penalti não assinalado e assumo a tática do silêncio conveniente em resposta à cegueira seletiva dos outros, que isto da bola e de um milhão de euros estão-se nas tintas para o resto. 

Já agora não vi o presidente do Mónaco a vir chorar à UEFA meio milhão ou três pontos na secretaria...

Olhem amigos, o Benfica ganhou com um penalti contra não assinalado?



Vamos a ver o que o resto do ano traz. É importante, acima de tudo segurar a vantagem no campeonato. E na Champions fazer o mais dinheiro possível e, desta vez, pelo menos passar à segunda fase. É que na segunda fase podemos ganhar mais uma vez, ser eliminados e ainda assim ser digno, sem ter que passar pelo calvário da Liga Europa até ao fim e perder uma terceira final. Já não teria estômago para isso.

E assim fica-se livre para o campeonato até ao fim.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

E... estamos de volta!

Depois de um interregno de dois meses e meio, eis que resolvemos regressar. A pasmaceira do verão, a nulidade da seleção e o absoluto nenhum interesse que nutro pela pré-época e circo especulativo das contratações e vendas, levou-me a não ter interesse, nenhum, em escrever sobre o Benfica nem tão pouco sobre bola.

É claro que quando começou a contar o Benfica fez o que lhe competia. Ganhar. Neste caso, mais um título, apenas o 5º da categoria, que a Supertaça só serve para fazer com que o clube dos Andrades possa dizer que tem mais títulos que o Glorioso. Isto apesar de se ter desbaratado meia equipa campeã em vendas que em muito estão inquinadas pelas negociatas dos fundos. è uma opção que permite ter mais flexibilidade financeira mas que depois redunda invariavelmente na necessidade de reconstruir meia equipa ano após ano.
Ainda assim o Benfica não perdeu a identidade. perdeu isso sim poder de fogo. E as duas magras vitórias do início do campeonato anunciaram um corolário que se cumpriu ontem

De todas as perdas nem Markovic nem Oblak (o problema não foi ter perdido Oblak, foi ter ficado com o Artur) nem o Garay foram as mais importantes. A perda mais importante foi mesmo o Rodrigo. E isso viu-se no jogo de ontem. O domínio massacrante do Benfica durante os primeiros vinte minutos e depois naquele quarto de hora da segunda parte tinha de ter dado golos. O Talisca não é avançado, Lima necessita de um melhor apoio, e Derley entrou tarde. Precisávamos do Rodrigo mas já não era nosso desde o meio da época passada.

E assim foi que enfrentámos o Sporting ontem. Com personalidade e domínio mas sem poder de fogo. E com a oferta do Artur e a incapacidade dianteira, oferecemos um ponto ao Sporting e dois ao Porto. O Benfica é assim, generoso.Ainda é cedo no campeonato mas como disse Jesus, não é agradável não ganhar ao Sporting.

De qualquer maneira foi um grande ambiente que se viveu ontem na Luz. Mais de 60.000 nas bancadas com as claques imparáveis, os adeptos empurraram a equipa durante aqueles 15 minutos infernais da 2ª parte onde o Sporting se viu encostado às cordas e só o salvou S. Patrício. Mas faltou-nos poder de fogo e o Artur já tinha feito o estrago.

Ontem o jogo iniciou-se com um lembrete, para os adversários mas também para a equipa:


Campeões nacionais. Por 33 vezes. Agora cumpram esses pergaminhos que ser campeão não é só um pano gigante que se mostra nos dérbis.

P.S Ver o Benfica nos lugares Fundador (um grande obrigado à Clara e ao Zé Fialho) dá azo a ouvir comentários do género: "Olha-me para esta merda! Ainda é pior que o Costa Pereira!"

Benfica Old School, bitchezz


segunda-feira, 16 de junho de 2014

O Vermelho de Portugal

Eis que um mês e meio depois volto à escrita futebolística. Os meus últimos dois posts referiam-se à vitória do campeonato pelo Glorioso e à épica passagem do Benfica à Final da Liga Europa, anulando a equipa piemontesa no seu próprio estádio. O momento épico ficou-se por aí. Duas semanas depois, já com a Taça da liga ganha, o fantasma do raio do húngaro mostrou-se bem vivo. Desde então, e já com os fantasmas de 2013 completamente sandaos, um triplete ganho após a vitória na Taça (finalmente Jesus matou esse borrego), não havia para mim muito mais a escrever sobre o Benfica. O que tinha a dizer foi tudo dito no post de 22 de abril, que faz um apanhado das emoções das duas épocas que abrangem este blogue. Assim sendo, meti umas férias no blogue.

Mas este é um ano de mundial e apesar do vermelho que me move no dia-a-dia ser sediado ali no Estádio da Luz, os jogos da seleção sempre tiveram para mim uma carga emocional grande. Como todos os portugueses vivi intensamente o Europeu de 2004, o mundial de 2006 e o de 2010 e ainda está atravessada na garganta aquela derrota nos penalties na meia final contra o futebol de merda da espanha em 2012. É com um misto de arrepio e saudade difusa que me lembro do bigode do Chalana na campanha épica do Euro '84 e que me dá um assomo de desilusão quando me recordo do México 86. No entanto, os jogos que me marcam mais emocionalmente são mesmo o das meias finais com a França em 2000 e o épico jogo dos quartos der final com a Inglaterra em 2004.



Esse jogo, aliás, marca a única vez em que senti um descontrolo emocional que não se explica racionalmente e a única vez que chorei como uma menina por causa do futebol. O responsável? o maestro, o eterno vermelho Rui Costa. O vídeo fala por si, o relato imortal do Jorge Perestrelo, é causa sui:
Quando o Rui Costa a mete lá dentro dei por mim de joelhos a chorar como uma madalena a gritar descontroladamente o nome do Rui Costa.

Vamos por partes:

Ver um jogo do Benfica parte de uma emoção racional, se é que é possível descrevê-la assim. Parte de uma certeza que o Benfica é o maior, que o seu dever é ganhar e as vitórias do Benfica correspondem a uma expetativa. Ver or Benfica parte de uma relação de comércio existencial. O adepto investe emocionalmente e também monetariamente, se for sócio, na equipa durante os 10 meses da época e espera que a sua equipa corresponda a esse investimento. Por isso é que uma época  como a de 2013 deixa marcas profundas no adepto quando corre mal e limita-se a confirmar o investimento do adepto, quando tudo corre bem. O adepto fica satisfeito, escarnece dos seus adversários, usa o produto desse investimento na época seguinte e por aí adiante, contruindo em conjunto a grandeza do clube e reciprocamente da massa adepta. É um trabalho contínuo. É uma relação diária para a vida inteira.

Assistir a um jogo da Seleção nacional na fase final de um qualquer campeonato parte de um pressuposto completamente diferente. Ser de Portugal não exige investimento diário emocional. Nós não acompanhamos semanalmente a seleção e esta só joga a sério de dois em dois anos. Não temos de lidar com adeptos de clubes adversários diariamento, não temos de defender as vitórias dos nosso clube perante os outros nem justificar as derrotas ou cobrá-las perante nós.

Ao contrario de ser do Benfica, que é uma relação estável e duradoura, que se contrói ao longo de 30 jornadas durante um ano inteiro, ser da seleção é como uma paixão de verão ardente, que se esgota a cada jogo.

A emoção do jogo de hoje não depende de como está a equipa no campeonato, como é que a equipa vai gerir o resto da época ou que implicações para as provas do resto da época terá a performance de hoje. O jogo de hoje é o jogo de hoje. Durará apenas 90 minutos, reduz-se a si pópria, depende apenas de como irá o Ronaldo jogar, de como o Moutinho colocará a bola no Hugo Almeida, de como o Bruno Alves irá tirar a bola da cabeça de um alemão.
O jogo de hoje é o jogo de hoje. O jogo de hoje tem 90 minutos. O jogo de hoje não é sobre se somos a melhor equipa, se a época foi bem preparada, sobre se devia jogar A ou B. O jogo de hoje é sobre isto e apenas isto.
"VAMOS LÁ CARALHO E LIMPAR AQUELE SORRISO ARROGANTE DAS FUÇAS DOS FILHADAPUTA DOS BOCHES COM AS BOTAS DO RONALDO, FODA-SE"







quinta-feira, 1 de maio de 2014

Puta que os pariu

É isso, mais nada a dizer.

Vão-se foder piemonteses de merda. Isto é o Benfica.
Esta é a minha entrada de blogue hoje. Mais nada. Não quero saber do sofrimento do ano passado, não quero saber do Sevilha daqui a duas semanas.
Vencemos esta eliminatória ao campeão italiano no seu próprio terreno com uma chapada nas ventas e menos 2. 
Vão-se foder. Isto é o Benfica. 
E dia 14 jogamos em casa. Esta vitória é também pelo Torino.

Vemo-nos daqui a 14 dias.


P.S. Quero agradecer ao Futebol Clube do Porto por ter dado oportunidade ao Benfica de ter treinado durante 120 minutos a jogar com menos um durante dois jogos. Foi um atitude patriótica. Obrigado FC Porto.

terça-feira, 22 de abril de 2014

A grandeza deste Clube

I Want it all
I want it all
I Want it all
And I want it now

Versava uma faixa do penúltimo álbum de estúdio dos seminais Queen já faz 25 anos.

Quando resolvi escrever este blogue, para além de pretender preencher uma lacuna de escriba cibernético (mandar bitaites sobre bola) tinha enraizado no subconsciente uma sensação que volta e meia subia a uma convicção consciente de que a época de 2012/2013 seria a época onde o Benfica mostraria finalmente a sua grandeza e acabaria com a hegemonia do Futebol Clube do Porto.

Foi com essa certeza mais ou menos desavergonhadamente assumida que comecei este blogue com o entusiasmo e a soberba própria do adepto do maior clube português. A época passada e as suas exibições fizeram-nos acreditar numa época de sonho e a esperança enraizou-se de tal modo que passou a certeza. No início de maio éramos líderes, finalistas de uma competição europeia, prestes a ganhar mais um ataça. A Grandeza do clube só podia produzir um sentimento. "Este ano queremos tudo e vamos consegui-lo."

Numa semana esse sentimento levou um pontapé nos dentes. Um pontapé colocado por um jogador obscuro, num fatídico minuto 92 no estádio do nosso maior adversário e que deixou marcas para a semana seguinte, de tal sorte que o abalo provocado impediu animicamente a equipa de recuperar e ganhar o que quer que fosse. Foi o maior balde de água fria que os adeptos do Benfica alguma vez levaram. Maior ainda que o balde de água fria do penalty falhado pelo Veloso em 89.

Maio de 2013 deu-nos acima de tudo uma grande lição de humildade e ensinou-nos que a grandeza faz-se também, para além da história e dos feitos, de reconhecer a fraqueza inerente às falhas, às lacunas, às más decisões ou simplesmente à má sorte. O Benfica, talvez como nunca na sua história, teve a consciência que não basta dizer que se é o maior porque ser o maior depende em muito de demonstrar que é o maior e essa demonstração depende de resultados.

Não me interpretem mal. Na vitória, e também na derrota, o Benfica foi, é e será sempre o maior. Porque o amor por um clube não depende exclusivamente das suas vitórias, que o digam os adeptos do Sporting ou até mesmo do Braga ou Guimarães, que têm das massas adeptas mais entusiastas do pobre panorama futebolístico deste pobre país. Mas é na execução da sua superioridade em campo que um clube demonstra a sua grandeza e, por mais que digamos que somos os maiores, temos de ter um caneco para o demonstrar.

Mas também não basta ter o caneco.O Porto o ano passado ganhou a única coisa que tinha para ganhar no fim de sua época arrastada a ilusões de futebol competente, sem saber como. Ganhou o campeonato na reta final, dependendo de um tropeço, de um golpe de sorte, de um capricho da Nike (a deusa, não a marca) e, ato contínuo, a certeza e a esperança, a alegria acumulada dos adeptos do Benfica que tinham tudo a ganhar, levaram um estalo que demorou um ano inteiro a recuperar.

Preferia ter ganho tudo o ano passado em vez deste ano? Preferia. Estava psicologicamente preparado para isso. As minhas expetativas e esperanças prepararam-se para ser campeão o ano passado e isso tornou-se um ato falhado. Esse ato falhado envenenou-me a alegria acumulada, fabricada, carinhosamente cultivada durante um ano, a partir das mais legítimas aspirações. Disso nunca irei recuperar.

Mas, por outro lado, foi um chamar à realidade, foi uma lição que a grandeza do clube também se faz de humildade e trabalho e que quando um clube cai não fica lá estendido. Foi uma lição que a derrota não é o fim, a derrota é apenas um momento passageiro e que na derrota também se arranjam ferramentas para elevar o espírito, a dignidade e a força de um clube.

Jorge Jesus também tem razão. Só as grandes equipas perdem tudo no fim porque só as grandes equipas estão até ao fim para poder ganhar ou perder. E se houve algo que nestes dois anos o Benfica demonstrou é que é uma grande equipa.

Esta época contive sempre o entusiasmo, em grande parte porque também não o conseguia recuperar mesmo que quisesse. E, apesar de não acreditar que fôssemos perder o campeonato duas vezes seguidas, o entusiasmo só regressou em pleno e aos níveis da época passada, na quarta-feira da semana que agora findou. A reviravolta épica sobre o Porto na Luz, para a meia-final da Taça de Portugal, com mais de uma hora a jogar com menos um, demonstrou que o ano passado o que aconteceu foi apenas um golpe fortuito, uma bênção divina, uma qualquer dívida antiga que o Porto deixou até ao fim para cobrar e meteu o requerimento na secretaria do Olimpo à última da hora. Este ano os deuses já não devem nada a Pinto da Costa e fez-se justiça. Essa vitória resumiu em 90 minutos a grandeza e a superioridade do Benfica nestes últimos dois anos.

Está bem que para a estatística e história o que fica são as vitórias do Porto, Braga, Chelsea e Guimarães no ano passado, mas só o Benfica em dois anos esteve sempre à beira de ganhar tudo o que tinha. Só o Benfica esteve sempre em todas as frentes durante dois anos seguidos até ao fim e se o ano passado tudo perdeu, este ano já tirámos um peso de cima. O Campeonato já cá canta. Essa alegria já ninguém nos tira. A partir daqui já só há coisas a ganhar. Quinta feira é a próxima etapa.A estatística, como sempre, far-se-á no fim da época. Para já só uma coisa é evidente. A grandeza deste clube.